Dá a entender a comunicação social em geral que a proposta final do benemérito secretário de Estado Sérgio Monteiro (benemérito não é a comunicação social que diz, sou eu…) para a reestruturação dos transportes públicos de Lisboa afinal já quase nem prejudica as pessoas. Por exemplo, segundo o Público, “…Sérgio Monteiro decidiu que continuarão em funcionamento os barcos que ligam Belém à Trafaria. Isto apesar de este serviço representar um custo de 3,2 milhões de euros por ano, que garante proveitos de apenas 400 mil euros anuais”.
É claro que qualquer um de nós não pode rebater estes números porque são atirados para o ar sem qualquer tipo de fundamentação, mas no Relatório de Gestão e Contas Consolidadas de 2009 do Grupo Transtejo (último disponível na página net da empresa) é indicado que em 2009 foram transportados 831.599 passageiros na ligação Belém-Trafaria, pelo que é difícil perceber como é que tanta gente só rende uma receita anual de 400.000 euros, uma vez que cada travessia custa actualmente 1,05 euros.
A não ser que não estejam a ser consideradas aqui as receitas provenientes dos passes. Se isso suceder, já se percebe não só como é que a receita não ultrapassa os 400.000 euros, mas também se percebe qual o objectivo deste género de estudo/discurso.
De qualquer forma, se queremos falar de custos que não geram proveitos, recordo-me de ter passado há uns dias à porta do emprego do Álvaro, e de ter contado seis viaturas de categoria E (vulgo Audi A6, BMW serie 5, ou Mercedes classe E) à porta, a ocupar os lugares reservados do ministério (fora outras tantas que estavam a espreitar de dentro da garagem…) e os respectivos motoristas engravatados a confraternizar animadamente à porta.
Vai daí, pus-me a fazer contas: O custo anual de aquisição de 10 viaturas destas (supondo uma média de 60.000 euros para cada e uma amortização em 4 anos) rondará os 150.000 euros; Se cada motorista custar, entre salários, isenções de horários e contribuições para a segurança social uns 3500 euros/mês, 10 motoristas custarão 420.000 euros por ano (supondo que não recebem ‘abonos suplementares’ a fazer as vezes dos subsídios de férias e de natal); Se cada carro destes fizer uma média de 25.000 km/ano, estamos a falar de cerca de 30.000 euros de combustível; finalmente, os 6 lugares de estacionamento (em zona vermelha) que a EMEL não cobra por estarem ocupados desta forma, renderiam cerca de 25.000 euros por ano. Feitas as contas, estamos a falar de 625.000 euros/ano de custos que não geram receita (a não ser os impostos e contribuições que o Estado recebe de volta) nem têm utilidade absolutamente nenhuma para as pessoas.
E para que não se pense que isto é demagogia, trata-se de um edifício que fica a menos de 200 metros da saída do metro do Chiado, pelo que não faz qualquer sentido que o erário público esteja a desperdiçar dinheiro dos contribuintes desta forma.
Álvaro, pá, dá o exemplo, e depois pode ser que alguém te reconheça o mínimo crédito para falar sobre transportes públicos.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Pais & Filhos
Admito que isto só aconteça comigo, mas o novo livro da Rita Ferro (que não li, nem este nem nenhum outro), aliás, o título do dito livro, "A menina é filha de quem?", sugere-me que só pode ser uma versão queque de "O pai da criança" (mas quem será, eu sei lá, sei lá).
Ou isso ou então, como se diz em Rabo de Peixe, o lugar onde moram todas as teses falhadas de sociologia ("a gente nã serem maus"): "qu'é tê pâi?". Assim, à bruta. Agora... a menina... ninguém diz isto, a sério.
Tamanho enviesamento só pode vir de más companhias. Dizem. E eu acredito.
Ou isso ou então, como se diz em Rabo de Peixe, o lugar onde moram todas as teses falhadas de sociologia ("a gente nã serem maus"): "qu'é tê pâi?". Assim, à bruta. Agora... a menina... ninguém diz isto, a sério.
Tamanho enviesamento só pode vir de más companhias. Dizem. E eu acredito.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
3 em 1
No jargão politico-jornalístico começaram a chamar-lhes 'os três partidos do arco governativo'; Afinal parece que é mais correcto apelidá-los de 'os três partidos do arco maçónico'...
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