terça-feira, 29 de junho de 2010

REMATE

dos dois posts anteriores: se era para provar que Espanha nos anda a ganhar aos pontos nem valia a pena terem jogado!

Eu não escrevo só posts sobre Espanha...

...mas aproveito que ainda não se sabe o resultado do jogo para publicar uma foto de arquivo. Aqui vai ela






Pois, isto é mesmo um evento que decorreu em território nacional. Pabellón Multiusos, Gondomar, é aquele que custou 20 milhões de euros ou lá o que foi. Normalmente alberga a Eros Porto, que aquele certame que dá direito a peças telejornalísticas onde ficamos a saber que o Valentim Loureiro gosta de meninas, coisa de que até aí nem suspeitavamos.

Bem, os senhores até devem ser muito simpáticos porque, ao que percebo, oferecem o café. Mas seria ser muito exigente pedir (exigir?) que escrevessem a publicidade em, sei lá, PORTUGUÊS?
Mas por que carga de água é que um evento que decorre em Portugal é publicitado em Portugal numa língua estrangeira.

Está certo, eu percebi a ideia, percebi o que ia acontecer, onde e quando e que o café era oferta da casa. Mas não percebi como é possível que aqui o subúrbio tenha sido inundado por estes cartazes. E agora, de quem é a culpa? Não sei, mas fui ver. Ali no canto inferior esquerdo diz "Organiza: Mostranos". No direito diz "Colabora: Camara Municipal de Gondomar".

Com a colaboração do Google lá descobri que a dita Mostranos é uma empresa de organización de eventos feriales, e que troca com a Câmara correspondência deste género:

" Mostranos "aplaza" la celebración de la feria "Stock Outlet" prevista para los días 27 y 28 de febrero, con el objetivo de propiciar mejores perspectivas comerciales."

Sim, assim mesmo, em espanhol.

Pronto, tá visto, ELES é que NÃO PERCEBERAM que tinham mudado de país. Vai a ver e a culpa é da abolição das fronteiras. Entretanto parece que vamos perder o jogo (ou já perdemos há muito e andamos distraídos).

Post de quem optou por ignorar a transmissão televisiva que custou milhões ao erário público...

...e que às tantas dá por si a perguntar, enfim, mas se era para jogar contra a Espanha era preciso ir até África do Sul?

terça-feira, 22 de junho de 2010

A CAMINHO DE SÃO BENTO – parte 2

Eu sei que é um tema que já foi abordado por aqui, mas como se trata de um assunto da mais elementar justiça, é imperioso a ele voltarmos.

Rui Rio anda de veia inflamada. Há dias foi à RTP queixar-se que só ali, no Porto e arredores, é que iriam ser introduzidas portagens nas SCUT. Dizia ele, e com razão, que em todo o resto do país não se vai pagar para andar nas SCUT. E já alertou, magnânimo, que as pessoas do Porto estão à beira da revolta. Parece que é um barril de pólvora pronto a rebentar, e o Governo está a acender o rastilho.

Pela minha parte, compreendo-os. É que já são inúmeros os casos em que apenas as pessoas no Norte são obrigadas a pagar. Para ir à Casa da Musica, por exemplo, Porque é que no resto do país não tem que se pagar para entrar na Casa da Música? E Serralves? Porque é que no Alentejo não se paga para entrar em Serralves?

Não admira que o pessoal do Norte ande abespinhado. Qualquer dia, ainda se lembram de lhes cobrar para poderem atravessar as pontes.

domingo, 6 de junho de 2010

A CAMINHO DE SÃO BENTO

António Costa já anunciara há meses, com as devidas pompa e circunstância, uma campanha sem precedentes. Iam ser, se a memória não me atraiçoa, 8 milhões de euros para acabar com os buracos nas ruas de Lisboa, e não ia ser só para remendar, como até então, era mesmo para repavimentar quase todas as ruas da cidade.

À época, pareceu-me que 8 milhões de euros dariam para pouco, mas não quis parecer céptico, porque afinal não sou engenheiro, nem sequer técnico.

Mas realmente, na altura, a única diferença que notei foi um tapete novo em parte da Avenida de Brasília, talvez uns 20 metros, mais ou menos ao pé do café daquele tipo que bateu no Carrilho, perto do sítio onde o Santana tinha legalizado o estacionamento em cima do passeio porque sim. Mas é certo que eu não ando por todas as ruas de Lisboa, e provavelmente esses grandes melhoramentos tinham sido, logo por azar, nessas por onde eu não passo.

Agora, porém, teve mais uma ideia genial. Há uns anos, o pedestal do Cristo Rei publicitou um gelado de frutos exóticos e uma revista de coscuvilhices. O Padrão dos Descobrimentos também já serviu de expositor para uma campanha de uma petrolífera, e a Ponte 25 de Abril para anunciar um festival de música (pronto, não é bem um festival de música, é uma mistura de feira popular com o programa do Goucha, mas enfim…).

E se os símbolos de Lisboa servem para alguém ganhar algum, porque não aproveitar para fazer o mesmo com outro dos ex-líbris da cidade? Assim, em vez de arranjar os buracos nos pavimentos, a Câmara resolveu antes encontrar um patrocinador para cada um. A ideia é de fácil execução: mantêm-se os buracos como estão, mas pinta-se o logótipo do patrocinador no asfalto, ao lado da cratera. Para já, começou por uma empresa de fitas adesivas e afins, mas confesso-me curioso para ver quem se seguirá. Que tal uns vendedores de pneus ou de amortecedores?

Suponho que, no futuro, o conceito se possa também alargar a outra das inconfundíveis características da capital. Cada automobilista poderá, como faz todos os dias, estacionar o seu carro em cima do passeio, mas passará a aproveitar para anunciar qual é o detergente ou a marca de peúgas que patrocina o seu estacionamento ilegal.

sábado, 5 de junho de 2010

É incrível, mas é verdade

Pelos vistos há pessoas que não frequentam este blog (uma minoria de certeza, mas há) e que hoje se deslocam em autocarro, com partida ás 6 da manhã em direcção a Lisboa, para verem o Tony Carreira, jogarem à bola no Parque e, enfim, fazerem um piquenique. Levam as crianças, se calhar não perceberam bem onde é que é o piquenique.

Serralves? Ah, já lá fui, não gostei nada daquilo.

Enfim, é a massa trabalhadora, que se levanta todos os dias ás 5 e meia para trabalhar e que aproveita um sábado para dormir mais... meia hora!

E vais a Lisboa? Que remédio, lá é que acontece tudo, até a única coisa que havia cá eles levaram, gostava tanto de ver os aviões e agora olha...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PONG

Não bastava já a crise, não bastava o aumento de impostos, não bastava a comunicação social só falar do Mourinho e das férias do Cristiano Ronaldo na Covilhã, não bastava a prestação miserável (que já todos sabemos que vai ser a) da selecção no Mundial, não bastava termos aterrado de pára-quedas num novo governo do Santana Lopes sem sabermos como, não bastava a tricentésima vigésima quarta versão do Robin Hood com o Russel Crowe, não bastavam reality shows de dança a toda a hora na televisão, e programas de revistas cor-de-rosa com música pimba cujos cameramen sofrem de epilepsia, não bastava o Porto já ter tomado outra vez conta da presidência da Liga, não bastavam os buracos nas estradas e o rock in rio e concertos com os black eyed peas e os buraka som sistema no estádio nacional, não bastavam os carros em cima dos passeios e os dejectos caninos, não bastavam os pombos e os artigos do César das Neves, não bastavam os terramotos e vulcões por esse mundo fora, e os derramamentos de crude, não bastava o fim do kakuro nas páginas do Público e o ano fraco em morangos, agora ainda temos que apanhar com um novo filme de ’o sexo e a cidade’? Que medonhos pecados estaremos a expiar com tamanha penitência?