quarta-feira, 23 de julho de 2008

CANDIDATURA

Uma das mais fantásticas profissões que existe é a de crítico. É já um lugar comum dizer que quem vai para crítico é aquele que não consegue vingar em determinada actividade: um pintor falhado torna-se crítico de pintura, um escritor falhado transforma-se em crítico de literatura, etc., e quem é falhado em tudo, escreve num blogue...

Mas os que mais me fascinam são os críticos de cinema. Ser pago para ver filmes e depois dar estrelinhas parece-me uma profissão de sonho, mesmo que isso obrigue a ver os filmes do Eric Rohmer e as comédias de adolescentes americanas. Aliás, muitas vezes nem parece ser preciso ver os filmes para escrever sobre eles, a avaliar pelo que alguns críticos escrevem.

Mas tendo isso em conta, ainda mais me intriga o crítico Mário J. Torres, do Público. Há não sei quantas semanas que a coluna das estrelinhas dele aparece em branco. O que é que isto significa? Está de férias? Está de baixa? Mas nesse caso, porque é que não é substituído? Ou simplesmente não lhe tem apetecido ir ao cinema? Mas esse não é o trabalho dele? Será que ele se pode recusar a ir ver filmes, só porque acha que não há nada que valha a pena? Será que eles recebem por cada filme que vêem? Ou pela quantidade de estrelas que dão? Só se for ao contrário, pela quantidade de estrelas que não dão, pelo menos no Público...

De qualquer forma, deixo aqui o repto ao José Manuel Fernandes: se precisar aí de alguém para substituir esse tipo (mesmo que seja temporariamente) e receber uns cobres só para ir ver uns filmes e dar umas estrelinhas, pode contar comigo.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

UM ANO IGUAL AOS OUTROS

Passou recentemente um ano desde que António Costa tomou posse à frente da Câmara de Lisboa. Como seria de esperar, tudo está exactamente igual. O maior problema de Lisboa, que é o excesso de automóveis, continua perfeitamente na mesma. Centenas de milhar de veículos insistem em entrar todos os dias na cidade, em poluir e entupir as ruas, por continuar a ser tão barato andar de automóvel em Lisboa. Os passeios continuam pejados de carros, seja em frente à Câmara, à porta das esquadras de polícia, no meio da Praça da Figueira, ou nas avenidas novas, qualquer bocado de passeio é bom para deixar o carro, porque existe a certeza de que isso não é apenas tolerado, mas mesmo incentivado pelas autoridades.

Até agora, o momento mais marcante de António Costa à frente da Câmara foi sem dúvida a peregrina ideia de desactivar a estação de Santa Apolónia e a respectiva linha de comboio, porque o metro já lá chegava. É uma coisa tão estúpida que nem sequer Santana Lopes se lembrou dela.

Pode ser injusto avaliar um ano inteiro de mandato por uma ideia idiota mas, perante esta proposta, é inevitável a convicção de que António Costa não faz a mínima ideia do que é que está a fazer à frente da Câmara, para além de construir uma carreira política. Para isso, porém, devia ficar pelo Parlamento e pelos debates de barbudos nas televisões, que são lugares mais apropriados para os políticos que não sabem fazer nada de jeito.

E por falar neles, é certo que Santana Lopes (justiça lhe seja feita) também teve, durante o seu mandato, a ‘visão’ de acabar com a linha ferroviária de Cascais. Mas a verdade é que na nossa memória é por outros feitos que consegue perdurar...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

QUANDO A ESMOLA É GRANDE, O POBRE DESCONFIA…

Os Delfins vão acabar. É uma promessa. Mas, calma, não façam já a festa. Para já, parece que é só daqui a ano e meio. E por outro lado, os rapazes dizem que vão continuar “… ligados à música, em iniciativas a solo ou em grupo…”. Teme-se o pior…
A outra má notícia é que antes disso ainda vão lançar mais um disco de originais, e já ameaçaram passar os próximos tempos a dar concertos.
Mas há aqui qualquer coisa que cheira a esturro. Isto de dizer ‘vamos acabar, mas só daqui a ano e meio’ faz lembrar o Santana Lopes a ameaçar que se não o agarram, larga a política para sempre. Será que também estão à espera que nasça uma grande vaga de fundo a apelar a que eles revejam a sua irredutível posição, a bem da nação? Nesse caso, está na nossa mão evitá-lo. Há que ter força e tenacidade. É em momentos assim que se avalia a fibra de um povo.
E já agora, para quando a mesma promessa por parte dos Da Weasel?