quarta-feira, 14 de novembro de 2012

PÉROLAS A PORCOS



Esta verdadeira obra-prima apareceu hoje publicada no site do jornal ‘A Bola’, ilustrando uma ‘notícia’ com o pomposo título «Desemprego é um processo pelo qual o país tem que passar» - Pedro Passos Coelho.
A fotografia, cujo autor não aparece identificado, terá sido tirada hoje, “na cerimónia de inauguração de uma parte da fábrica da Sicasal que ardeu há um ano”.

Ao ver aquele senhor da frente, saído directamente de um anúncio de detergente para a roupa, a olhar para o pedaço de carne pendurado como o Mr. Bean a olhar para um quadro num museu, e o aspecto enojado do outro senhor logo atrás, não podemos deixar de pensar que esta representação metafórica de Portugal como um porco esquartejado merece desde já uma nomeação para o Pullitzer.

Isto até poderia ser cómico se as declarações do homem significassem que o desemprego era 'um processo’ pelo qual ele e a restante corja iriam passar dentro em breve. Infelizmente, porém, acho que este 'processo' não é para todos…

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

RECORDAR É VIVER...

...como nos ensinou o Vitor Espadinha.

Não sei se gosto mais das "soluções inovadoras e consistentes para combater o desemprego, a pobreza e a exclusão social" ou do "investir no crescimento económico para criar empregos, com sensibilidade para gerar coesão e justiça social".

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A ECONOMIA EXPLICADA ÀS CRIANCINHAS... – parte IV

Miguel Cadilhe já encontrou a solução para a crise e para a dívida pública. Parece que passa por cada totó que não tem o património nas ilhas Caimão e afins contribuir para a causa com mais 4% do valor desse património, chamando-lhe o nome catita de ‘tributo solidário’. Infelizmente, não disse aquilo que eu gostaria mesmo que ele dissesse, que era qualquer coisa como isto: “Epá, lembram-se daquela história da Sisa das Amoreiras nos anos 80? Está aqui com juros, para ajudar a pagar tudo aquilo que vos foi roubado ao longo destes anos...”

terça-feira, 19 de junho de 2012

Qual festa?

Parece que não há festa como esta. Não, espera lá, isto era da festa do Avante. Não era nada disto. Vinha aqui escrever sobre o São João do Porto (Puârto). Dizem que em mais nenhum lugar do país se faz uma festa assim, toda a gente na rua, as cascatas, a sardinha (não há mais festas com sardinha no Verão, de certeza), ah e o fogo de artifício, esse instrumento fundamental na avaliação da prestação dos autarcas.

Pois eu não gosto: ruas entupidas de gente, um caos para estacionar, lixo pelo chão, uma barulheira que não se aguenta e toda a gente a martelar em toda a gente? Isso é o que se faz por aqui todos os dias. Se era para ser festa bem podiam fazer qualquer coisa de original.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ainda faltava aqui falar do Pingo Doce

Ao terceiro dia mantem-se acesa a disucssão sobre de quem é afinal a culpa de ter havido enchente no Pingo Doce no 1º de Maio. Parece haver bastante unanimidade neste ponto: a culpa não é do povo, só aproveitou porque precisava, as pessoas não são irracionais. O mesmo praticamente se aplica aos colaboradores (adoro isto), ganharam o triplo, acho que a coisa chegou mesmo a rasar os 30 (trinta) euros.

Culpas à parte, a mim o que até agora  mais me ocupava o espírito era como tinham as pessoas aguentado horas e horas à espera. À espera para entrar, à espera para conseguir circular, à espera para pagar. Bem sei que desde as filas em intermináveis SSSS introduzidas aquando da Expo 98( (lembram-se?) a capacidade média do português médio aguentar uma seca aumentou, e certamente haverá dados estatísticos que o comprovem. Mas não conhecendo ninguém que tivesse ido ao Pingo Doce no feriado continuava com dúvida a moer.

Tudo se resolveu na escola. Ou melhor, à porta da. Alguém disse "Eu fui e quero lá saber". Mas eu queria saber. Aguentei a curiosidade o mais que pude, e fui recompensada, porque o assunto da conversa não durou muito (já no facebook mantém-se há 3 dias) e em breve se mudou para as comunhões que estão aí à porta. "Grande seca no confesso, não foi? Estivemos mais de 3 horas à espera". Fez-se luz: estas coisas exigem preparação, e nada como uma boa dose de religião para nos deixar física e mentalmente preparados para sermos explorados.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O SUBCONSCIENTE É UMA COISA ESTRANHA...

Nos últimos dias, não sei porquê, lembrei-me de uma das cenas mais marcantes do Stand by me, do Rob Reiner, em que o protagonista se recorda de, logo após a morte do irmão, o pai lhe dizer “It should have been you, Gordie...”

sexta-feira, 13 de abril de 2012

PORTUGAL NÃO É A GRÉCIA

Esta ladainha tem sido repetida até à exaustão pela escumalha que nos governa, mas agora temos finamente a prova. O ex-ministro grego da Defesa, Akis Tsochatzpoulos foi detido esta semana por suspeitas de corrupção no caso da compra de submarinos à Alemanha, alegadamente porque não conseguiu provar a origem do dinheiro com que comprou uma casa luxuosa num bairro de elite de Atenas. Em Portugal, embora se saiba que também houve corrupção no caso dos submarinos (dois ex-executivos da Ferrostaal admitiram num tribunal alemão ter pago subornos à Grécia e a Portugal) continua-se a assobiar para o ar. Definitivamente, Portugal não é mesmo a Grécia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SANTA PACIÊNCIA…

Não sei porquê, hoje veio-me à memória aquela mítica e deliciosa história de uma equipa que despediu o Bobby Robson e depois ficou até ao final da época a pagar-lhe metade do salário enquanto ele ganhava o campeonato num clube rival. Como é que se chamava essa equipa, mesmo? A minha memória anda péssima, mas recordo-me que tinha umas riscas verdes e brancas...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

JÁ ESTREOU O MELHOR DE FILIPE LA FÉRIA NO CASINO ESTORIL

Parece que é o espectáculo mais curto da História, dura uns cinco segundos...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A ECONOMIA EXPLICADA ÀS CRIANCINHAS... - parte III

Dá a entender a comunicação social em geral que a proposta final do benemérito secretário de Estado Sérgio Monteiro (benemérito não é a comunicação social que diz, sou eu…) para a reestruturação dos transportes públicos de Lisboa afinal já quase nem prejudica as pessoas. Por exemplo, segundo o Público, “…Sérgio Monteiro decidiu que continuarão em funcionamento os barcos que ligam Belém à Trafaria. Isto apesar de este serviço representar um custo de 3,2 milhões de euros por ano, que garante proveitos de apenas 400 mil euros anuais”.
É claro que qualquer um de nós não pode rebater estes números porque são atirados para o ar sem qualquer tipo de fundamentação, mas no Relatório de Gestão e Contas Consolidadas de 2009 do Grupo Transtejo (último disponível na página net da empresa) é indicado que em 2009 foram transportados 831.599 passageiros na ligação Belém-Trafaria, pelo que é difícil perceber como é que tanta gente só rende uma receita anual de 400.000 euros, uma vez que cada travessia custa actualmente 1,05 euros.
A não ser que não estejam a ser consideradas aqui as receitas provenientes dos passes. Se isso suceder, já se percebe não só como é que a receita não ultrapassa os 400.000 euros, mas também se percebe qual o objectivo deste género de estudo/discurso.
De qualquer forma, se queremos falar de custos que não geram proveitos, recordo-me de ter passado há uns dias à porta do emprego do Álvaro, e de ter contado seis viaturas de categoria E (vulgo Audi A6, BMW serie 5, ou Mercedes classe E) à porta, a ocupar os lugares reservados do ministério (fora outras tantas que estavam a espreitar de dentro da garagem…) e os respectivos motoristas engravatados a confraternizar animadamente à porta.
Vai daí, pus-me a fazer contas: O custo anual de aquisição de 10 viaturas destas (supondo uma média de 60.000 euros para cada e uma amortização em 4 anos) rondará os 150.000 euros; Se cada motorista custar, entre salários, isenções de horários e contribuições para a segurança social uns 3500 euros/mês, 10 motoristas custarão 420.000 euros por ano (supondo que não recebem ‘abonos suplementares’ a fazer as vezes dos subsídios de férias e de natal); Se cada carro destes fizer uma média de 25.000 km/ano, estamos a falar de cerca de 30.000 euros de combustível; finalmente, os 6 lugares de estacionamento (em zona vermelha) que a EMEL não cobra por estarem ocupados desta forma, renderiam cerca de 25.000 euros por ano. Feitas as contas, estamos a falar de 625.000 euros/ano de custos que não geram receita (a não ser os impostos e contribuições que o Estado recebe de volta) nem têm utilidade absolutamente nenhuma para as pessoas.
E para que não se pense que isto é demagogia, trata-se de um edifício que fica a menos de 200 metros da saída do metro do Chiado, pelo que não faz qualquer sentido que o erário público esteja a desperdiçar dinheiro dos contribuintes desta forma.
Álvaro, pá, dá o exemplo, e depois pode ser que alguém te reconheça o mínimo crédito para falar sobre transportes públicos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pais & Filhos

Admito que isto só aconteça comigo, mas o novo livro da Rita Ferro (que não li, nem este nem nenhum outro), aliás, o título do dito livro, "A menina é filha de quem?", sugere-me que só pode ser uma versão queque de "O pai da criança" (mas quem será, eu sei lá, sei lá).

Ou isso ou então, como se diz em Rabo de Peixe, o lugar onde moram todas as teses falhadas de sociologia ("a gente nã serem maus"): "qu'é tê pâi?". Assim, à bruta. Agora... a menina... ninguém diz isto, a sério.

Tamanho enviesamento só pode vir de más companhias. Dizem. E eu acredito.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

3 em 1

No jargão politico-jornalístico começaram a chamar-lhes 'os três partidos do arco governativo'; Afinal parece que é mais correcto apelidá-los de 'os três partidos do arco maçónico'...