No seguimento da recente aprovação do diploma que visa a introdução de um micro-chip em cada matrícula, para ser sempre possível saber onde é que determinado (dono de) veículo anda, proponho que se discuta a implementação de uma medida similar, direccionada para os nossos funcionários políticos.
Poderemos começar, em regime experimental, por aplicar um micro-chip a cada um dos nossos deputados. Em complemento, o site da Assembleia da República deverá transmitir em tempo real algumas informações básicas sobre o trabalho diário de cada um destes obsequiosos servidores da nação: a hora a que entram e saem da Assembleia, se em cada momento estão no plenário, na casa de banho, no bar ou no gabinete, e também, já agora, o seu sentido de voto em cada sufrágio que vá decorrendo no hemiciclo.
Isto constituirá uma forma prática e funcional de aproximar os deputados dos eleitores, muito mais eficaz que a populista, ridícula e persistente proposta de criar círculos eleitorais uninominais com que os grandes partidos nos costumam ciclicamente aterrorizar. Assim, toda a gente poderá saber o que faz diariamente não apenas ‘o seu’ deputado, mas cada um dos duzentos e trinta a que paga o salário.
O sistema deverá identificar publicamente apenas onde está cada deputado dentro do Parlamento, porque dispensamos saber o que essa gente faz fora do horário de expediente. Para nós, eleitores, a sua vida pessoal é irrelevante (e desinteressante).
Penso, até, que a medida será do agrado da generalidade dos deputados. Não só permitirá reduzir, decerto, o grau de incompreensão por parte dos eleitores de que muitos são vítimas, como constituirá um reforço da segurança individual de cada um, porque no caso de serem raptados, por exemplo, as autoridades policiais conseguirão imediatamente localizá-los.
No futuro, se a medida for bem sucedida (e, à partida, não vislumbro razões para que tal não suceda), poderemos, com ligeiras adaptações, alargar o seu âmbito de aplicação: aos restantes políticos, às viaturas oficiais, aos cartões de crédito de serviço, etc.. Tudo a bem da transparência...
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
HERÓI NACIONAL
Portugal tem um novo herói nacional. Chama-se Marco Fortes e é lançador do peso, à tarde.
O rapaz teve o condão de unir o país, algo muito raro. Não se via um consenso tão grande entre os portugueses desde que Amália Rodrigues foi desta para melhor. O coro de críticas relativamente às declarações de Marco Fortes no final da sua participação dos Jogos Olímpicos foi mais unânime do que os elogios à prestação de Vanessa Fernandes, porque não falta quem tenha ficado muito desiludido com a atleta pela conquista de uma medalha de prata. Mas ele pôs-se a jeito: justificar a sua fraca prestação (para além de dois arremessos nulos, lançou o peso a 18,05 metros, a 2,08 do seu recorde pessoal) com a hora madrugadora do evento é no mínimo genial.
“De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo…” vai entrar para a História. De fino recorte literário, mas com um truculento travo de sarcasmo, nada fica a dever a outras célebres frases de outros grandes génios da cultura portuguesa do último século, como Luiz Pacheco ou João César Monteiro. O rapaz tem futuro, mas provavelmente mais nas letras do que no estádio.
Sócrates, mais um conselho do doutor Fajuto, pá: se queres garantir uma nova maioria absoluta, vê se consegues pôr o Marco a concorrer pelas listas do PSD…
O rapaz teve o condão de unir o país, algo muito raro. Não se via um consenso tão grande entre os portugueses desde que Amália Rodrigues foi desta para melhor. O coro de críticas relativamente às declarações de Marco Fortes no final da sua participação dos Jogos Olímpicos foi mais unânime do que os elogios à prestação de Vanessa Fernandes, porque não falta quem tenha ficado muito desiludido com a atleta pela conquista de uma medalha de prata. Mas ele pôs-se a jeito: justificar a sua fraca prestação (para além de dois arremessos nulos, lançou o peso a 18,05 metros, a 2,08 do seu recorde pessoal) com a hora madrugadora do evento é no mínimo genial.
“De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo…” vai entrar para a História. De fino recorte literário, mas com um truculento travo de sarcasmo, nada fica a dever a outras célebres frases de outros grandes génios da cultura portuguesa do último século, como Luiz Pacheco ou João César Monteiro. O rapaz tem futuro, mas provavelmente mais nas letras do que no estádio.
Sócrates, mais um conselho do doutor Fajuto, pá: se queres garantir uma nova maioria absoluta, vê se consegues pôr o Marco a concorrer pelas listas do PSD…
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