Se bem me lembro, o primeiro foi o Figo. No fim do Euro 2004 tinha a vida arrumada, estava-se bem no Real Madrid e era uma canseira ter que vir aturar o Scolari e os adeptos, de vez em quando. Vai daí, com o ar solene que as circunstâncias merecem, passa-se de um clássico chorrilho de banalidades (representar a ‘selecção de todos nós’ e vestir a camisola da ‘turma das quinas’ é o maior orgulho que um futebolista pode ter, e blá blá blá…) para outro clássico chorrilho de banalidades (o fim de um ciclo, dar o lugar aos mais novos, e blá blá blá…).
Passado um tempo, acabou-se o filão do Real, e foi preciso fazer pela vida. Assim, Figo reverteu a decisão e, qual salvador da pátria acedendo à vontade do povo, voltou a jogar pela selecção. Depois, já com contrato com o Inter até ao final da carreira, a cena repetiu-se no fim do Mundial de 2006.
Agora, após o Mundial de 2010, foi o Deco. As coisas com o Queiroz andavam difíceis, e um tipo a partir de uma certa idade já não está para grandes chatices. Depois foi o Simão Sabrosa. Mas agora, até o Paulo Ferreira e o Miguel se dão ao luxo de difundir à comunicação social que ‘renunciam’ à selecção. Quem é que se seguirá? O Pedro Roma, da Académica? Ou o Cajó, do Carcavelinhos?
A desfaçatez desta gente é inacreditável… Se têm um assim tão incomensurável orgulho em jogar por Portugal, porque é que não se dispõem a estar ao serviço da equipa enquanto o seleccionador achar que eles podem ser úteis? É preciso topete, como dizia o outro…
Esta demonstração de suprema arrogância leva-me a propor uma medida radical: que tal implementar uma espécie de declaração prévia que todos os jogadores profissionais de futebol teriam de assinar antes da primeira internacionalização, comprometendo-se a estar sempre disponíveis para jogar pela selecção (salvo lesões, que isso é outra cantiga…) até ao final da carreira, e não apenas quando precisam dela para procurar um clube? Quem não assinasse não poderia jogar por Portugal.
Outra questão que merece uma reflexão profunda são aquelas pequenas lesões que aparecem em momentos cirúrgicos, em que não dá jeito nenhum aos clubes que os jogadores andem a perder tempo, mas essas ficam para outra análise.
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