quarta-feira, 23 de julho de 2008

CANDIDATURA

Uma das mais fantásticas profissões que existe é a de crítico. É já um lugar comum dizer que quem vai para crítico é aquele que não consegue vingar em determinada actividade: um pintor falhado torna-se crítico de pintura, um escritor falhado transforma-se em crítico de literatura, etc., e quem é falhado em tudo, escreve num blogue...

Mas os que mais me fascinam são os críticos de cinema. Ser pago para ver filmes e depois dar estrelinhas parece-me uma profissão de sonho, mesmo que isso obrigue a ver os filmes do Eric Rohmer e as comédias de adolescentes americanas. Aliás, muitas vezes nem parece ser preciso ver os filmes para escrever sobre eles, a avaliar pelo que alguns críticos escrevem.

Mas tendo isso em conta, ainda mais me intriga o crítico Mário J. Torres, do Público. Há não sei quantas semanas que a coluna das estrelinhas dele aparece em branco. O que é que isto significa? Está de férias? Está de baixa? Mas nesse caso, porque é que não é substituído? Ou simplesmente não lhe tem apetecido ir ao cinema? Mas esse não é o trabalho dele? Será que ele se pode recusar a ir ver filmes, só porque acha que não há nada que valha a pena? Será que eles recebem por cada filme que vêem? Ou pela quantidade de estrelas que dão? Só se for ao contrário, pela quantidade de estrelas que não dão, pelo menos no Público...

De qualquer forma, deixo aqui o repto ao José Manuel Fernandes: se precisar aí de alguém para substituir esse tipo (mesmo que seja temporariamente) e receber uns cobres só para ir ver uns filmes e dar umas estrelinhas, pode contar comigo.

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